Um aumento significativo na incidência de infecções provadas pelo uso de piercing no nariz, orelha e língua vem preocupando os médicos do Hospital das Clinicas de São Paulo (HC). Dos 40 casos atendidos pelo hospital em um ano, 80% resultaram em cirurgia reparadora para a reconstituição da orelha e do nariz. A maioria dos casos se deu em adolescentes. O alerta é do otorrinolaringologista Perboyre Lacerda Sampaio. Segundo ele, a colocação do acessório provoca a formação de quelóide (cicatrização ruim) e infecções de vários graus. “ O problema maior está nos locais onde há cartilagens, como orelha e nariz.Dependendo do caso, o paciente é submetido a várias cirurgias e tratamento com corticóide e radioterapia.” A explicação para tantos problemas é que o local onde o piercing é colocado sempre será porta aberta para bactérias. “Podem passar dez anos, mas um dia acontece a infecção,” alerta o médico. Além disso, ele diz que o brasileiro, como povo mestiço, tem problemas genéticos de cicatrização da pele. A colocação de piercing na língua, segundo Sampaio, pode provocar problemas ainda maiores. A formação de abcesso (pús) é mais constante e pode chegar a obstruir a respiração e causar a morte por sufocação caso haja penetração de germes no seu interior.
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